O corpo… ainda criança… a alma… sofrendo…
Quando era pequena gostava de ganhar, aqueles pianinhos…
Pequenas réguas que soltavam o som de notas musicais…
A última lembrança que tem é da última que ganhou…
uma pequena “régua” e desenho de vários animais (acreditava ser uma savana da África, por que viu uma vez na TV)
Sentada no alto da escada, se desligava do mundo
chorava baixo, e tentava esquecer…
Proteger tua mãe que tanto sofria…
Enquanto o rei bebia e descontava toda a sua raiva de fera, em tudo aquilo que os dedos podiam alcançar.
A alma se calava… e apontava para o céu
A criança no alto da escada,
acreditava que podia controlar o vento com cada nota musical, que de sua régua saia.
( e conseguia)
Aquilo alegrava seu coração… ao menos um pouco…
O dia do segredo revelado
Iº
_ Filha porque não me contou.. lágrimas… dor… e peso na consciência…
Calada a alma ouvia e a criança apenas lembrava…
- Vai deitar pra lá ou já se esqueceu onde é o teu lugar????????????
- Vai tua mãe já foi embora…
A pequena criança e sua alma,
se recolhiam no chão, aos pés daquela cama, engolia o choro tentava dormir…
Tomava banho feito cachorro, aos baldes no quintal, comia sim, depois de cruzar o dia inteiro com fome,comia minutos antes de sua mãe ir lhe buscar….
E o rei bebia e tocava tudo o que podia com seus dedos de fera
Até um coração bondoso descobrir e acabar com toda aquela injustiça… (revelou a verdade)
E salvou a pobre criança daquele destino cruel que antes assistira…
Para a mãe uma única frase:
_ Mãe, foi só para te proteger, você vive e faz tudo sozinha e eu não queria dar mais trabalho..
e ainda ouvia aquela voz que sempre a assombrou…
- Coloca o travesseiro na boca dessa maldita…
E os reinos caiam..
Seu dia mais feliz, foi quando ganhou aquela gaiola,
e nela o que seria seu único e melhor amigo por muito tempo…
não tinha mais a outra casa.. e o colo da outra mãe para se esconder de tudo…
Verde e pequeno, era assim o seu periquito…seu nome Romeu.
Cantava e brincava, seu único motivo de sorrir…e em seus dedos quando o tocava.. brotavam arco-íris…
E a alma sorria, mostrava seu amor e dom atravéz dos animais….
E o rei prestes a perder o trono, continuava a beber…
A menina e o celeiro
Dessa passagem não se recorda muito.
Lembra das lágrimas, dos gritos, daquela cela escura, da pouca luz que entrava pelo ventilador industrial velho…
.. o rei fechando a porta com seu sorriso bestial…
Talvez tenha sido ali que tenha perdido o trono…
Não era mais rei, nem homem, apenas fera…
e a alma a se perguntar..o que eu fiz?
A menina apavorada não tirava o olho da pouca luz que entrava pela fresta, para não prestar atenção no medo que sentia do escuro.
A alma a segura pelas mãos…
e a menina se calou…
Corpo de criança e o tempo sendo arrancado de suas mãos…
- É louca devíamos ter internado enquanto podíamos….
A menina fecha os olhos e aponta para o céu
E a coluna de pássaros se move…
Seu dom por fim se revela e sua alma se eleva.
Quase sempre estudava a luz de velas, a luz sempre faltava.
A obrigação de crescer e aprender tudo muito rápido lhe batia a porta.
Em uma daquelas noites muita chuva e velas pela casa.
Mal entendia o porquê das coisas, o porquê a luz acabava sempre, o porquê faltava coisas em casa..
Um papel brota em cima de seu pequeno caderno.
_Lê para mim, por favor.
E assim a criança o fez, lia mecanicamente,
estava aprendendo a ler então não compreendia e não sabia o significado de muita coisa.
A frase que nunca esqueceria…
- querida irmã, nosso pai veio a falecer essa noite.
Faleceu????? como assim??? (palavra estranha)
e sua mãe se jogou ao chão aos prantos
A criança sem entender e sem explicações fora para cama.
E no dia seguinte, na escola a professora explicou o quão trágico era o significado daquela frase.
A alma se entristeceu…
A criança chorou novamente…
e a fera (quem quer saber?)
(continua?)